“Não é que eu tenha total confiança de que os cientistas estão certos, é que tenho absoluta certeza de que os não-cientistas estão errados.”







____________________________________________________________________Isaac Asimov.













"A ignorância gera confiança com mais frequência do que o conhecimento: são aqueles que sabem pouco, e não aqueles que sabem muito, que tão positivamente afirmam que esse ou aquele problema jamais será resolvido pela ciência."



"Se o mistério da pobreza não for causado pelas leis da natureza, mas pelas nossas instituições, grande é o nosso delito. "





______________________________________________________________________________Charles Darwin.





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"Vivendo sob as trevas do Holocausto e esperando ser perdoados por tudo o que fazem em nome do que eles sofreram parece-me ser abusivo. Eles não aprenderam nada com o sofrimento dos seus pais e avós."





"Nós podemos comparar (a situação palestina) com o que aconteceu em Auschwitz."





"Mas então ninguém percebe que matar em nome de Deus é fazer de Deus um assassino?"





________________________________________________________________José Saramago.




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COSMOLÓGICA - A MATÉRIA HUMANA FORJADA NO CALOR DAS FORNALHAS ESTELARES DISTANTES!

Cosmológica

Sagan.


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"A História está repleta de pessoas que, como resultado do medo, ou por ignorância, ou por cobiça de poder, destruiram conhecimentos de imensurável valor que em verdade perteciam a todos nós. Nós não devemos deixar isso acontecer de novo."




_______________________________________________________________________________Carl Sagan.





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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Russa nada nua com baleias brancas.

Campeã mundial de prender a respiração embaixo d’água encara desafio em mares gelados.

A russa Natalia Asveenko, 36 anos, encarou um experimento triplamente desafiador: nadar com baleias brancas nas águas gélidas do Mar Branco, próximo ao Círculo Polar e, o mais assustador, completamente nua.

Asveenko é campeã mundial de prender a respiração embaixo d'água e conta que realiza o experimento com os animais a fim de "comprovar a teoria de que baleias-brancas e golfinhos têm uma espécie de radar que registra as ondas emitidas pelos humanos e ver como isso afeta o seu comportamento".
A cientista conta que optou por nadar nua porque queria estar na mesma condição que as baleias. "Os humanos não são reis do universo. Temos que viver em harmonia com nosso planeta e com a natureza".




Natalia Avseenko encara o desafio nas águas do Mar Branco, ao noroeste da Rússia, que atingem temperaturas de dois graus Celsius negativos.

Antes de entrar na água a pesquisadora faz ioga e meditação para conseguir controlar a respiração.



Natalia Avseenko iniciou os experimentos nadando com roupas de mergulho e, depois, usando apenas biquíni.


A cientista conta que no momento em que seu corpo entra na água, seu sangue se enche de adrenalina e as baleias conseguem perceber isso.


Uma das conclusões de Natalia Avseenko é que as baleias sentem a energia do ser humano e percebem bloqueios no fluxo de energia corporal.


A pesquisadora consegue passar cerca de 12 minutos nadando com as baleias nas águas geladas, fazendo intervalos a cada dois ou três minutos para subir à superfície e respirar.


Natalia Avseenko revela que quando as baleias sentem a vulnerabilidade dela, ajudam-a a subir à superfície.


As baleias usadas no experimento serão encaminhadas para um oceanário em Xangai, China. Natalia Avseenko é contra o uso de animais para mero entretenimento.


Apesar de Natalia Avseenko dizer que qualquer um pode repetir seu feito, uma pessoa sem preparo físico e psicológico pode morrer em poucos minutos.





segunda-feira, 7 de março de 2011

Quero compartilhar um pequeno momento.

Há alguns anos estávamos, minha amiga Ana Lucia e eu, saindo de uma das salas de cinema da Casa de Cultura Mario Quintana quando a convidei para subirmos até o Café Majestic, no terraço da CCMQ.

Ali estava se apresentando a banda Jazz 6, que tem como seu saxofonista, ninguém menos que o escritor Luis Fernando Veríssimo.

Embora tenhamos chegado perto do final da apresentação ainda pudemos curtir bastante uma boa parte do repertório. Quando encerraram, os músicos sentaram-se juntos com seus conhecidos para celebrarem.

Não resistindo à tentação, me dirigi até onde estava o senhor Luis Fernando para cumprimenta-lo. Agradeci e elogiei a performance de todos os músicos e teci algum comentário bobo sobre se "o nosso Internacional" iria se endireitar naquele ano e nos dar o Brasileirão. Ainda não foi nem dessa vez!

O extraordinário escritor(e muito competente saxofonista) foi educado, amável e atencioso, tanto quanto sua muito famosa timidez o permitiu. Voltei à mesa com uma expressão(suponho) abobalhada como uma criança que ganhou muitos chocolates.

Mais tarde quando saímos e entramos no elevador, qual não foi nossa surpresa ao ver chegar em seguida o senhor Veríssimo, que seria nosso companheiro até o térreo. Se tivéssemos tentado fazer de propósito, não daria tão certo.

O problema é que ficamos sem saber o que dizer, entre inúmeras coisas que passaram por nossas mentes ao mesmo tempo. Ana e eu ficamos com sorrisos infantis em nossos rostos e aqueles olhinhos arregalados e brilhantes, cheios de vontade de falar algo, mas morrendo de vergonha de que saísse uma besteira diante de alguém que domina brilhantemente as palavras.

Quis dizer a ele que os primeiros livros que li em minha vida foram escritos por seu pai, Erico Veríssimo. Que dois desses livros me foram dados de presente por meu tio Hélio e minha tia Heloísa e o terceiro, Tibicuera(um dos meus favoritos até hoje), havia pertencido a meu avô materno e eu acabei dando de presente a minha professora da quarta série por quem era apaixonado. Queria contar a ele que, ainda gurizote, eu ria feito um louco abençoado lendo as narrativas de seu Analista de Bagé, sentado no sofá da sala de outros tios em São Lourenço durante minhas férias de verão. Mas não consegui pronunciar nenhuma palavra.

Conforme o elevador descia o peso do silêncio instaurado foi tanto que o próprio Luis Fernando forçou-se a sair de sua zona de conforto e comentou:
- Parece que o tempo vai mudar de novo, né? Tem feito uns tempos meio estranhos... A gente nunca sabe...
- Ah! Sim é verdade, bem estranhos... - Concordamos.

Novo silêncio; mas logo em seguida a porta abre. Chegamos ao térreo. Foram apenas cinco andares, mas pareceram quinze durante a descida e somente um depois que nos despedimos dele e tomamos nosso rumo enquanto ele entrava em um táxi.

Fica uma lição: sejam breves ou longos, os momentos precisam ser vividos da melhor forma possível, já que nunca avisam antes se vão ou não ser especiais.

No natal de 2009 minha prima Daniele me presenteou com um livro com uma singela dedicatória e autografado pelo Luis Fernando Veríssimo. É um dos meus pequenos tesouros.



_LPR_

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Estatuto da Terra.


Um dia a vida surgiu na terra. A terra tinha com a vida um cor­dão um­bi­li­cal. A vida e a terra. A terra era grande e a vida pe­que­na. Ini­ci­al. A vida foi crescendo e a terra fi­can­do menor. Cercada, virou coi­sa de al­guém, não de todos. Vi­rou a sorte de alguns e a des­gra­ça de tan­tos. Na História foi tema de re­vol­tas, re­vo­lu­ções, trans­for­ma­ções.

A terra e a cer­ca. Muitas re­for­mas se fi­ze­ram para dividir a terra, para torná-la de muitos e, quem sabe, até de to­das as pes­so­as. Mas isso não acon­te­ceu em to­dos os lu­ga­res. A democracia es­bar­rou na cerca e se feriu nos seus ara­mes far­pa­dos. Onde se fez a reforma, o pro­gres­so chegou. Mas a ver­da­de é que até agora a cer­ca ven­ceu. No Brasil, a terra, tam­bém cer­ca­da, está no centro da História.

Os pe­da­ços de­mo­cra­ti­za­dos custam san­gue, dor e so­fri­men­to. Nas ci­da­des virou mansões e fa­ve­las. Mas é tanta, é tão grande, tão pro­du­ti­va que a cerca treme, os li­mi­tes se rom­pem, a História muda e ao lon­go do tempo o momento chega para pensar di­fe­ren­te: a ter­ra é bem pla­ne­tá­rio, não pode ser privilégio de nin­guém, é bem so­ci­al e não pri­va­do, é patrimônio da hu­ma­ni­da­de e não arma do ego­ís­mo par­ti­cu­lar de nin­guém. É para pro­du­zir, gerar ali­men­tos, em­pre­gos, vi­ver. É bem de todos para todos.

Esse é o único des­ti­no pos­sí­vel para a terra. Que a so­ci­e­da­de seja o ver­da­dei­ro ator dessa nova peça, para mu­dar a face da ter­ra. A partir daí a vida na terra será melhor.

(Condensado de texto de Herbert de Souza, o Betinho, articulador na­ci­o­nal da Ação da Ci­da­da­nia e coordenador da Campanha Nacional pela Reforma Agrária - 1995 / Ibase Memória)

Extraído do site do programa Almanaque Brasil da TV Cultura.

sábado, 15 de janeiro de 2011

A IMAGEM DE "CAMPO PROFUNDO" DO TELESCÓPIO ESPACIAL HUBBLE.

Este é um vídeo já bem conhecido na rede por quem curte astronomia.
Mas por ser tão fascinante e inspirador, cabe aqui reproduzi-lo mais uma vez.



Como se o conteúdo magnífico por si só não bastasse, este trabalho é dedicado a Carl Sagan (que não precisa de apresentações!) e tem como música de abertura outra obra sensacional: Shine On You Crazy Diamond do Pink Floyd, seguida de outras belas canções.




Os créditos da produção se encontram no final, exceto ao que se refere a Leonardo Bays, a quem se deve agradecer as legendas em português e ao detentor da conta TDarnell no YOUTUBE pela postagem.

Deliciem-se:

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A única coisa que eu lamento é que, inevitavelmente, aparece cada figura que, depois de assistir a este espetáculo do conhecimento, insiste nas estorinhas sobre discos voadores e ufologia, ao invés de falar sério sobre ciência de verdade.

Fazer o quê? Apesar disso, a diversidade de idéias é uma premissa para a evolução da espécie humana.



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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

"TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES."

Saudações.


Recebi esta semana um e-mail bem interessante cujo conteúdo desejo compartilhar.
O texto é exatamente assim:

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"No  futebol, o Brasil ficou entre os 8 melhores do  mundo e todos estão tristes. 
 Na  educação é o 85º e ninguém  reclama..."
   

EU  APOIO ESTA TROCA
   
   TROQUE  01 PARLAMENTAR POR 344  PROFESSORES   
O  salário de 344 professores 
que ensinam =  ao  de 1 parlamentar
que rouba.
  
 Essa  é uma campanha que  vale a pena! 
  
Repasso  com solidária revolta! 
Prezado  amigo!
Sou  professor de Física, de ensino médio de uma  escola pública em uma cidade do interior da  Bahia e gostaria de expor a você o  meu  salário bruto mensal:  R$650,00 
 
 Eu  fico com vergonha até de dizer, mas meu salário  é R$650,00. Isso mesmo! E olha que eu ganho mais  que outros colegas de profissão que não possuem  um curso superior como eu e recebem minguados  R$440,00. Será que alguém acha que, com um  salário assim, a rede de ensino poderá contar  com professores competentes e dispostos a  ensinar? Não querendo generalizar, pois ainda  existem bons professores lecionando, atualmente  a regra é essa: O professor faz de conta que dá  aula, o aluno faz de conta que aprende, o  Governo faz de conta que paga e a escola aprova  o aluno mal preparado. Incrível, mas é a pura  verdade! Sinceramente, eu leciono porque sou um  idealista e atualmente vejo a profissão como um  trabalho social. Mas nessa semana, o soco que  tomei na boca do estômago do meu idealismo foi  duro!
Descobri que um  parlamentar brasileiro custa para o país R$10,2  milhões por ano...  São os parlamentares mais caros do mundo. O  minuto trabalhado aqui custa ao contribuinte  R$11.545.
Na  Itália, são gastos com parlamentares R$3,9  milhões, na França, pouco mais de R$2,8 milhões,  na Espanha, cada parlamentar custa por ano R$850  mil e na vizinha Argentina  R$1,3 milhões.
 
Trocando  em miúdos, um parlamentar custa ao país, por  baixo, 688 professores com curso superior  !
Diante  dos fatos, gostaria muito, amigo, que você  divulgasse minha campanha, na qual o lema  será:
'TROQUE  UM PARLAMENTAR POR 344  PROFESSORES'.
 
Repassar esta mensagem é  uma obrigação, é sinal de patriotismo, pois a vergonha que  atualmente impera em nossa política  está desmotivando o nosso povo e arruinando o nosso querido Brasil.
É o mínimo que  nós, patriotas, podemos fazer.


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 Certamente não faltará quem diga "se está achando ruim, muda de profissão".
Seria como uma certa representante do Ministério Público de minha cidade, ao receber representantes dos funcionários públicos que lhe haviam trazido denúncias sobre a relação fisiológica de concessão e troca de cargos entre vereadores e o prefeito e a inconstitucionalidade de medidas que alienaram conquistas da categoria, deu como resposta que "se não tá satisfeito, te exonera". Postura típica da canalhice.

A troca sugerida pelo professor no desabafo mais acima, fomenta, como devem ter percebido, não só a eliminação de um CANCRO no congresso e a adição de mais profissionais da educação, mas também dobrar a remuneração desses educadores. É uma boa visão, porém um tanto modesta.

Esta realização não é utopia. Requer, é certo, mobilização e que venhamos a impô-la, com força, como provalvelmente, seria necessário. 

Imagino que o leitor atento e inteligente já deve ter pensado: "por que parar na troca de um parlamentar? Por que não trocar tanbém mais parlamentares por algumas  dezenas de médicos, enfermeiras, dentistas, policiais(todos melhor remunerados)?" Sim, é uma boa linha de raciocínio.

No entanto, não seria mais do que apenas um bom começo...

Um abraço.
_LPR_

 

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

ARGENTINOS... ARGENTINAS...

Perto do final da década de 1990, ao acompanhar o amigo Alex em um encontro de negócios numa cafeteria no centro de Porto Alegre, Pedro não esperava que da conversa fosse surgir para ele próprio uma proposta de trabalho.

 O fotógrafo argentino que utilizara os serviços de design de seu amigo, convidou Pedro, após saber que se tratava de um escritor em início de carreira, para trabalhar em um projeto de uma espécie de "fotonovela" para um jornal do interior do Rio Grande do Sul.

Encontraram-se novamente, apenas Pedro e o fotógrafo argentino, na mesma cafeteria(cujo nome auspiciosamente era Café Buenos Aires)  alguns dias depois e começaram o processo de desenvolvimento do tal projeto, acertando os detalhes e iniciando um conhecimento mútuo.

O "hermano" já estava no Brasil há uns dez anos mas ainda mantinha um sotaque carregado e um visual característico que fazia dele um estereótipo de jogador de futebol platino, onde só faltava uma bandana ou faixa.


Conversaram acerca dos temas que seriam abordados, características dos textos, prazos de entrega dos roteiros, pagamentos, enfim, todos os detalhes para o início do trabalho.

Em outra vez que se encontraram, antes de irem para a cafeteria de sempre, esperaram a bela esposa do fotógrafo argentino sair da academia onde malhava depois do trabalho, no centro de Porto Alegre. Ela,  brasileira, muito bonita, os acompanhou e participou da conversa que tiveram, agora, menos profissional e mais cheia de amenidades.

Em certo ponto alguém tocou na questão do tratamento e do relacionamento entre brasileiros e argentinos. Ao que Pedro pergunta:
- Qual tua impressão, depois de tanto tempo de convívio e sendo casado com uma brasileira, sobre as pessoas daqui?
E recebeu uma resposta incômoda:
- Acho que os brasileiros são péssimos anfitriões, mal-educados, rudes e um povo que se acha melhor que os outros. São arrogantes e pouco inteligentes.

Um breve momento de silêncio constrangedor, que pareceu durar meia-hora, foi quebrado pela pronúncia de algo que nem palavra era, saída da boca de Pedro:
- Mmmmmaaaahhhss...

Ele olhou para a esposa brasileira do fotógrafo argentino, tentando buscar cumplicidade numa possível retaliação, mas a encontrou apenas balançando a cabeça afirmativamente, concordando com seu marido.

Continuou desconcertado por mais alguns instantes até que se deu conta de que sua reação poderia confirmar ou pôr por terra o conceito que ali havia sido lançado.

Se éramos assim tão execráveis, o que fazia que continuasse a nos suportar, uma vez que sua esposa concordava com ele e era só uma questão de voltar para sua terra levando-a junto?

Imaginou que fosse algum teste para verificar seu grau de civilidade e, então calmamente, fez mais uma pergunta, até como forma de lhe dar uma chance para se redimir:
- É claro que esta opinião vem de tuas experiências pessoais ao interagir com nosso povo e ter de suportar a pouca simpatia originada essencialmente pela rivalidade vinda do futebol. Pelos paulistas, fluminenses e demais não posso falar nada, mas irás concordar comigo que os gaúchos são muito hospitaleiros, não é mesmo?

Recebeu a "tijolada":
- Os rio-grandenses? Esses são os piores! São tudo o que eu já falei sobre os brasileiros, reforçado por mais uma dose de ignorância.
A esposa brasileira(gaúcha) do fotógrafo argentino continuava a balançar positivamente a cabeça e balbuciava seu mantra:
- É mesmo... É mesmo... É mesmo...
Foi demais para Pedro. A situação lhe pareceu bizarra. "Só falta ele falar mal do Internacional", pensou.

Interrompeu bruscamente a conversa, fechou a cara e sentenciou, ainda em tom calmo porém seco:
- Vamos encerrar este assunto. Voltemos a falar do projeto.

Foi a penúltima vez que conversaram. Encontraram-se novamente apenas porque Pedro solicitou que lhe fossem devolvidos as cópias dos textos que ele já havia enviado anteriormente por fax e que tinham sido aprovados com louvor pelo exigente fotógrafo argentino.

Pedro recusara desta forma a oportunidade de se iniciar profissionalmente como escritor e amargou muitos anos de espera para ter outra novamente.


...


Quase uma década depois, Pedro conheceu uma bela morena argentina casada com um brasileiro e morando aqui há muitos anos. As circunstâncias que ocasionaram que se conhecessem foram geradas por uma série de coincidências totalmente improváveis, mas que culminaram em um encontro e numa conversa intensa em, acreditem, uma certa cafeteria no centro de Porto Alegre.

Ao inquiri-la sobre a saudade que devia sentir de sua terra natal recebeu como uma gratificante resposta:
- Saudade nenhuma; eu não! Os argentinos não prestam, são arrogantes, pretensiosos, se acham melhores que todo mundo!
Empolgado pela resposta, pela beleza da morena argentina, por seu suave e delicioso sotaque e pela intimidade da conversa que estavam tendo até então, Pedro, cheio de confiança e demonstrando não ter aprendido da primeira vez, fez a previsível pergunta:
- E o que acha dos brasileiros?
Teve como merecida resposta:
Os brasileiros? São exatamente iguais aos argentinos! Também não prestam! Olha, e os gaúchos...
A bela morena argentina foi calada por uma pegada forte seguida de um intenso beijo. Pedro decidira interromper aquele assunto imediatamenete e essa foi , decididamente, a melhor forma de faze-la calar.

Cerca de quatro horas depois, ao afagar os negros e sedosos cabelos da bela morena argentina (casada com um gaúcho, vale lembrar) que repousava a cabeça sobre seu peito naquela cama de motel, não pôde deixar de pensar que, apesar de te-la ajudado a trair um conterrâneo seu, não tinha dúvidas que "antes eu que um argentino".


_LPR_



Este texto foi publicado na edição de estréia do informativo ESPAÇO DE NOTÍCIAS que circulou  em 2008 por Cachoeirinha(RS) durante um curto período de tempo. Obrigado pela oportunidade Sirlei.
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

CRÔNICA DE UM OPERÁRIO QUE GOSTA DE ESCREVER.

Saudações


Curiosamente, no encerramento de 2010, é que venho publicar aqui o primeiro texto de autoria própria desde que criei este BLOG em 2007.

Apesar de toda a preguiça que habita neste franzino corpo, a resistência à escrita foi vencida pela necessidade de expressar.


Até este momento só havia postado citações por mera conveniência. Eu admito.

A idéia original do Guaraná Cerebral era a de servir como espaço para minhas pretensiosas crônicas. Fui derrotado pelo intenso ritmo do trabalho diário e por uma internet criminosamente lenta, que desanimavam-me e irritavam-me profundamente.


Tendo conquistado uma carga horária mais civilizada e uma conexão menos criminosa(Oi-Telecom é uma merda, mas é o que tinha...), não me restaram argumentos para protelar a estréia, já tão absurdamente retardada, de meus escritos a próprio punho; melhor dizendo, próprio teclado. Pegar mais leve com esse negócio de [Ctrl-C] e [Crtl-V].


Os temas abordados no Guaraná, como já devem ter percebido, possuem uma restrita diversidade. Até agora tem um tanto a ver com ciência(especialmente astronomia), música e filosofia ou ideologia, como queiram. Algumas das coisas que me despertam paixão(assim como as mulheres!) e que tanto me acalmam(assim como as mulheres!) quanto inquietam(assim como as mulheres!) a alma.


Estes temas recorrentes tiveram somente sua superfície arranhada. A intenção(e espero não morrer na casca) é a de aprofundar mais estes assuntos e ampliar as possibilidades. Todas as nossas possibilidades deveriam ser infinitas, como é infinita a inteligência humana e como é infinita nossa capacidade tanto para o bem quanto para o mal.


Ainda continuarei divulgando aqui material produzido por outras pessoas, mas vou me esforçar para seguir adiante meu intuito inicial de postar conteúdo desenvolvido por mim.


Outra característica deste blog é a de rastrear idéias interessantes. Tenho uma considerável lista de outros BLOGSPOTS que estou a seguir, por conta de eles representarem propostas que me interessaram, como qualquer um de nós, é óbvio. Só que nesse caso, não significa que eu concorde com todos eles. Alguns eu até antagonizo e outros tantos, apenas divirjo. A maior parte eu aprecio. Mas recomendo sinceramente todos. A diversidade de idéias é o segredo para a espécie humana aspirar a suas infinitas possibilidades.


Vou começar a adicionar links para sites também muito interessantes e que tenham a ver com o que for abordado nas postagens. É o que penso, ao menos.

Se tudo correr bem e a estabilidade persistir, devo associar um outro blogspot a este, com particularidades, diria eu, auspiciosas. Não, nada de safadeza... Bem, não muita pelo menos... 

Não se deve criar muitas expectativas, afinal não possuo formação superior, o que vai comprometer um bocado a qualidade de meus textos. Adicione-se a isso o fato de eu ser um preguiçoso incorrigível, o que deve afetar a produção quantitativamente.


Mesmo assim encerro este ano tendo sido (auto)bombardeado propositadamente por uma uma infinidade de estímulos ao córtex cerebral, desde os cerca de 14 livros devorados com ardor neste período; alguns espetáculos, filmes, documentários, programas, debates, congressos, formações e oficinas; muitas ações e boas doses de aventuras. Foi um ano e tanto!

Nada mal mesmo para um simples proletário.



De qualquer forma o mais importante é que sobrevivi a 2010. Vai saber se vamos poder dizer o mesmo sobre 2012...


O blog Guaraná Cerebral deseja a todos uma excelente passagem de ano e um 2011 (e 2013) com muita vida, saúde, paz e realizações. Por favor, não deixe de adicionar e divulgar esta página.




Um abraço.




Luciano Pacheco Reis
(conhecido pela maioria dos que visitam este website como a URL no brownse).


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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

domingo, 26 de dezembro de 2010

PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ.

Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis.
Arrastaram eles os blocos de pedra?
E a Babilônia várias vezes destruída
Quem a reconstruiu tanta vezes?
Em que casas Da Lima dourada moravam os construtores?

Para onde foram os pedreiros, na noite em que
a Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma esta cheia de arcos do triunfo
Quem os ergueu?
Sobre quem triunfaram os Césares?
A decantada Bizâncio
Tinha somente palácios para os seus habitantes?

Mesmo na lendária Atlântida
Os que se afogavam gritaram por seus escravos
Na noite em que o mar a tragou.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?
César bateu os gauleses.
Não levava sequer um cozinheiro?
Filipe da Espanha chorou, quando sua Armada
Naufragou. Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?

Cada página uma vitória.
Quem cozinhava o banquete?
A cada dez anos um grande Homem.
Quem pagava a conta?

Tantas histórias.
Tantas questões.


(Bertold Brecht).

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domingo, 7 de novembro de 2010

Série COSMOS by Carl Sagan 1980 (completa e dublada)

Saudações.

Esta é a sequência dos episódios da série científica de televisão Cosmos, idealizada e realizada por Carl Sagan junto com Ann Druyan, Steve Soter e Adrian Malone na saudosa década de 80.

Convido-os a se juntarem a essa viagem pelo esclarecimento, o discernimento, o conhecimento que é proporcionado por esta obra fantástica.


Um abraço e boa viagem.


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Episódio 01 - Os Limites do Oceano Cósmico:


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Episódio 02 - As Origens da Vida:



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> Episódio 03 - A Harmonia dos Mundos:



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Episódio 04 - Céu e Inferno:




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Episódio 05 - Os Segredos de Marte:




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Episódio 06 - Histórias de Viajantes:




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Episódio 07 - A Espinha Dorsal da Noite:




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Episódio 08 - Viagens no Espaço e no Tempo:




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Episódio 09 - As Vidas das Estrelas:




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Episódio 10 - O Limiar da Eternidade:




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Episódio 11 - A Persistência da Memória:




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Episódio 12 - Enciclopédia Galáctica:




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Episódio 13 - Quem pode salvar a Terra:




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Episódio 14 (BÔNUS) Uma Conversa entre Carl Sagan & Ted Turner:




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sábado, 6 de novembro de 2010

REPRESSÃO POLICIAL CONTRA JOVENS DO TEATRO-DE-RUA NA ESQUINA "DEMOCRÁTICA" EM PORTO ALEGRE!!

"
No dia 16 de Outubro de 2010 a Esquina "Democrática" voltou a ser palco de embate. A Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta Favela... apresentava sua montagem de Teatro de Rua Árvore em Fogo quando vários soldados da Brigada Militar tentaram interromper a apresentação abaixo de ameaças de prisão e de gritos para intimidar os atores.

Nós da Cambada, em um verdadeiro ato de resistência, levamos a apresentação até o final. Foi quando nos vimos detidos (inclusive uma criança de 11 anos que participa da peça), não poderíamos deixar o local nem poderíamos levar nosso material cênico, caso não nos identificássemos. Fomos levados a delegacia quando ,por sorte, um pedestre se identificou como advogado e nos acompanhou, não sabemos o que seria dentro da delegacia cercados por vários policiais sem este advogado que apenas passava e resolveu não ficar calado diante de tão absurda atitude dos soldados. Um deles argumentou que um dos motivos que os fizeram tentar parar a peça foi o que "algumas pessoas não estavam gostando".

Depois de algum tempo de discussão dentro da delegacia, fomos identificados e liberados. Esta intervenção da Brigada Militar desrespeita o Artigo 5º da Constituição Federal de 1988 que diz:

"É LIVRE A EXPRESSÃO DA ATIVIDADE INTELECTUAL, ARTÍSTICA, CIENTÍFICA E DE COMUNICAÇÃO INDEPENDENTEMENTE DE CENSURA OU LICENÇA"

Este foi mais um ato estúpido, inexplicavel e inconstitucional da polícia.
Árvore em Fogo é um alerta para a necessidade de Liberdade. Junto com Brecht a Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta FavelA...afirma:
DE HOJE EM DIANTE TEMEREMOS MAIS A MISÉRIA QUE A MORTE!! 

                                                                                                                                    " 




O QUE DIZ A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA:

TÍTULO II - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
CAPÍTULO I - DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Artigo 5º

(...)
II -

 ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
   III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
   IV -
  é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
   V -
  é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

(...)

 VIII -

 ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
   IX -
  é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
   X -
 são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

(...)

XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;

(...)

XLI -

 a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; 

(...)

XLVI -
a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
      a)
  privação ou restrição da liberdade;

(...) E por aí vai...

   Portanto criminosos são todos os policiais militares e seus superiores hierárquicos pelo vergonhoso e covarde ato de abuso da autoridade por eles sistematicamente praticado.

sábado, 23 de outubro de 2010

O CORVO *

 (de Edgar Allan Poe)

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.


"É só isto, e nada mais."


Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,


Mas sem nome aqui jamais!

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.


É só isto, e nada mais".

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.


Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.


Isso só e nada mais.

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.


"É o vento, e nada mais."

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,


Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."


Disse o corvo, "Nunca mais".

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,

Com o nome "Nunca mais".

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".

Disse o corvo, "Nunca mais".

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais

Era este "Nunca mais".

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,

Com aquele "Nunca mais".

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,

Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!


Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"


Disse o corvo, "Nunca mais".

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,



Libertar-se-á... nunca mais!
Fernando Pessoa - poeta maior da língua portuguesa.





(por Fernando Pessoa)

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* Traduzido de The Raven, de Edgard Allan Poe, ritmicamente conforme com o original.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

The Raven *

(by Edgar Allan Poe)


Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of someone gently rapping, rapping at my chamber door.
" 'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door;


Only this, and nothing more."

Ah, distinctly I remember, it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow; vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow, sorrow for the lost Lenore,.
For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore,


Nameless here forevermore.

And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me---filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating,
" 'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door,
Some late visitor entreating entrance at my chamber door.


This it is, and nothing more."

Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
"Sir," said I, "or madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is, I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you." Here I opened wide the door;---


Darkness there, and nothing more.

Deep into the darkness peering, long I stood there, wondering, fearing
Doubting, dreaming dreams no mortals ever dared to dream before;
But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word,
Lenore?, This I whispered, and an echo murmured back the word,


"Lenore!" Merely this, and nothing more.

Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping, something louder than before,
"Surely," said I, "surely, that is something at my window lattice.
Let me see, then, what thereat is, and this mystery explore.
Let my heart be still a moment, and this mystery explore.


" 'Tis the wind, and nothing more."

Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven, of the saintly days of yore.
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But with mien of lord or lady, perched above my chamber door.
Perched upon a bust of Pallas, just above my chamber door,


Perched, and sat, and nothing more.

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore,
"Though thy crest be shorn and shaven thou," I said, "art sure no craven,
Ghastly, grim, and ancient raven, wandering from the nightly shore.
Tell me what the lordly name is on the Night's Plutonian shore."


Quoth the raven, "Nevermore."

Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning, little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blessed with seeing bird above his chamber door,
Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door,


With such name as "Nevermore."

But the raven, sitting lonely on that placid bust, spoke only
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered; not a feather then he fluttered;
Till I scarcely more than muttered,"Other friends have flown before;
On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before."


Then the bird said,"Nevermore."

Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
"Doubtless," said I, "what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master, whom unmerciful disaster
Followed fast and followed faster, till his songs one burden bore,---
Till the dirges of his hope that melancholy burden bore


Of "Never---nevermore."

But the raven still beguiling all my fancy into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird and bust and door;,
Then, upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore,
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt, and ominous bird of yore



Meant in croaking, "Nevermore."

Thus I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl, whose fiery eyes now burned into my bosom's core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion's velvet lining that the lamplight gloated o'er,
But whose velvet violet lining with the lamplight gloating o'er


She shall press, ah, nevermore!


Then, methought, the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by seraphim whose footfalls tinkled on the tufted floor.
"Wretch," I cried, "thy God hath lent thee -- by these angels he hath
Sent thee respite---respite and nepenthe from thy memories of Lenore!
Quaff, O quaff this kind nepenthe, and forget this lost Lenore!"


Quoth the raven, "Nevermore!"

"Prophet!" said I, "thing of evil!--prophet still, if bird or devil!
Whether tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate, yet all undaunted, on this desert land enchanted--
On this home by horror haunted--tell me truly, I implore:
Is there--is there balm in Gilead?--tell me--tell me I implore!"


Quoth the raven, "Nevermore."

"Prophet!" said I, "thing of evil--prophet still, if bird or devil!
By that heaven that bends above us--by that God we both adore--
Tell this soul with sorrow laden, if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden, whom the angels name Lenore---
Clasp a rare and radiant maiden, whom the angels name Lenore?


Quoth the raven, "Nevermore."

"Be that word our sign of parting, bird or fiend!" I shrieked, upstarting--
"Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul spoken!
Leave my loneliness unbroken! -- quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!"


Quoth the raven, "Nevermore."

And the raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming.
And the lamplight o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor


Shall be lifted--- nevermore!






(First published in 1845).