“Não é que eu tenha total confiança de que os cientistas estão certos, é que tenho absoluta certeza de que os não-cientistas estão errados.”







____________________________________________________________________Isaac Asimov.













"A ignorância gera confiança com mais frequência do que o conhecimento: são aqueles que sabem pouco, e não aqueles que sabem muito, que tão positivamente afirmam que esse ou aquele problema jamais será resolvido pela ciência."



"Se o mistério da pobreza não for causado pelas leis da natureza, mas pelas nossas instituições, grande é o nosso delito. "





______________________________________________________________________________Charles Darwin.





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"Vivendo sob as trevas do Holocausto e esperando ser perdoados por tudo o que fazem em nome do que eles sofreram parece-me ser abusivo. Eles não aprenderam nada com o sofrimento dos seus pais e avós."





"Nós podemos comparar (a situação palestina) com o que aconteceu em Auschwitz."





"Mas então ninguém percebe que matar em nome de Deus é fazer de Deus um assassino?"





________________________________________________________________José Saramago.




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COSMOLÓGICA - A MATÉRIA HUMANA FORJADA NO CALOR DAS FORNALHAS ESTELARES DISTANTES!

Cosmológica

Sagan.


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"A História está repleta de pessoas que, como resultado do medo, ou por ignorância, ou por cobiça de poder, destruiram conhecimentos de imensurável valor que em verdade perteciam a todos nós. Nós não devemos deixar isso acontecer de novo."




_______________________________________________________________________________Carl Sagan.





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domingo, 26 de outubro de 2014

AS ESCOLHA ENTRE OS BOIS DE PARINTINS.

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Hoje as pessoas sairão de casa por serem OBRIGADAS a se apresentarem para exercerem seu DIREITO. Soa contraditório? Não se espante você não é o único a notar isto.

Sim, algumas pessoas virão comentar esta frase de abertura, buscando justificar o injustificável. Toda tentativa é válida, mesmo as que são fadadas ao fracasso.

Nada mais justifica(no melhor das hipóteses explica) a legitimação de um sistema político de democracia REPRESENTATIVA.

Quando a gente quiser virar um povo adulto, daí pode ser que venhamos a dar o próximo passo evolutivo: a democracia PARTICIPATIVA DIRETA ou AUTOGESTÃO.

Por enquanto ainda somos uma nação de bebês. Pois é, continuaremos a sujar as fraldas.

Amanhã as pessoas serão forçadas a escolher entre dois ANTIPROJETOS de país(não confunda com a palavra anteprojetos). O pior é que são gêmeos univitelinos, praticamente idênticos.

Ao menos o empresariado envolvido é exatamente o mesmo, sem tirar e nem pôr. Você notou isso, ao menos?

E as pessoas acreditando que estão discutindo propostas para o futuro, quando estão meramente debatendo frivolidades de cunho futebolístico: "o meu partido é melhor que o teu"; "o teu rouba mais que o meu" e tal e coisa com a mesma leviandade, a mesma superficialidade de quem compara times de futebol ou os bois de Parintins.

Eu me recuso a escolher o "menos pior", tanto quanto me dói este constante assassinato do idioma que reproduzi. Escolher aquele que não é tão ruim não basta, até porque não está presente entre as opções e nunca esteve.

Onde estão os PROJETOS DE PAÍS? Quais as referências? A que preço?
Nenhum político apresenta isso. Mas alguém entre nós dá conta de responder a estas e outras perguntas?

Tenho certeza que sim. Ao menos irão surgir alguns "salvadores da Pátria" e outros donos de verdades absolutas, que não vão passar de equívocos históricos requentados devido ao desconhecimento e leviandade.

Talvez você me pergunte: "então, seu chato, qual é solução?"
E eu responderei, com outra pergunta:
"Tá perguntando pra mim, tonto? Vai à luta, pesquisa, converse, avalie e descubra."

A solução não vai estar com uma pessoa. Em especial, não vai estar sob as rédeas de UMA pessoa.

Esqueçam as lideranças políticas e religiosas.
Particularmente eu me sinto tentado a instigar que se enforquem todos os líderes e aqueles que por ventura venham a se levantar para autoproclamarem-se lideranças. Mas isto seria um absurdo.
Seria... Né? Ah, ok seria então. Tá bom eu concordo que seria.

Façam pior do que mata-los: os desprezem e se esforcem para pensar com seus próprios cérebros.
"Ah! Mas eu penso com meu próprio cérebro já!"
Ô criança! Não se iluda.
Vai sair de casa hoje para escolher entre um dos dois "Bois de Parintins", né?
Isso já diz tudo.

 
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sábado, 5 de maio de 2012

A Insustentável LEVIANDADE Do Ser.

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Percebe-se que a pessoa que criou o video tem pouco ou nenhum domínio sobre o tema. O primeiro erro está logo no início ao dizer os bens de consumos são produzidos pelo mercado e seus empresários. Na verdade são produzidos pelos trabalhadores que são alienados do valor que geram pelo empresário que se apossa indevidamente desses valores. 

Não existe nada de natural em que a sociedade deva ser egoísta e o sistema capitalista existe há pouquíssimo tempo para que se lhe possa imputar a maestria de ser o pilar moral do ser humano. A premissa usada para justificar o naturalismo do capitalismo desconsidera milhares de anos de história e relações humanas, econômicas e de poder.

Se a idéia de defender o capitalismo se dá como forma de evitar o comunismo, pelos motivos que forem, ainda assim se desconsidera qualquer outra forma que exista ou possa ser pensada e que seja melhor do que uma sociedade dividida em classes e que haja pobreza e exploração. Esta é a essência da sociedade capitalista nos Estados Unidos, na França, na Suíça, na Jamaica ou no Brasil: desigualdade. Tudo bem, prá quem estiver no meio ou na parte alta da gangorra.

Uma das inúmeras mentiras que são pregadas pelos defensores do capitalismo é que ele seria um sitema que privilegiaria aos que tem talento e somente ele poderia fazer isso. Não é nenhum esforço comprovar que este argumento não se sustenta. A "liberdade" no sistema capitalista é diretamente proporcional à riqueza. Quanto mais rico, mais livre. Quanto mais pobre... Mais escravo! A riqueza produzida é automaticamente subtraída das mãos de quem realmente a produz.

Quem defende o comunismo é comunista. E quem dfende o capitalismo é capitalista? Não exatamente... Capitalista é, INEQUIVOCAMENTE, aquele que detém capital ou mesmo meios de produção(industriais e agrícolas). Os que lidam com a circulação(bancos e comércios) compõe a classe burguesa. Profissionais liberais ou de ponta(advogados, médicos, engenheiros...) podem até ser classificados como pequena-burguesia. Mas, de fato se não detém capital, não é capitalista...

... Aquele que não é proprietário de meios de produção(indústria e produção agropecuária) ou detém grande volume de capital(banco e o comércio) não é capitalista, mesmo que defenda este sistema.

Então como se chama quem defende o capitalismo mas não se pode classificar com capitalista por não ter posses para tal? Simples: quem defende o privilégio de alguns de explorar os demais(incluindo estes mesmos defensores) só resta que sejam chamados de lacaios. Como este vídeo mostrou bem!

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sábado, 14 de janeiro de 2012

Crescimento e desenvolvimento.

 
Os fatores que contribuem para a miséria nos 49 países mais pobres do mundo se acentuaram, de acordo com um relatório divulgado nesta quinta-feira pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).
Mesmo no período de conjuntura mais favorável, entre 2002 e 2007, os países mais desfavorecidos aumentaram sua dependência das matérias-primas, ao mesmo tempo em que suas exportações, em vez de se diversificarem, se concentraram ainda mais, segundo alerta o relatório.
Além disso, melhorou muito levemente sua poupança interna - com exceção dos exportadores de petróleo -, enquanto cresceu a dependência da poupança externa e foi acelerado o esgotamento de seus recursos naturais.
"Apesar de certos avanços no início do milênio, os países mais pobres não conseguiram se beneficiar de nenhuma tendência que os liberte da dependência exterior e das matérias-primas", declarou em entrevista coletiva o secretário-geral da Unctad, Supachai Panitchpakdi.
Esta soma de deficiências "obscurece as perspectivas de desenvolvimento nesses países" uma vez que se estabeleça a recuperação da economia mundial, como ressalta o estudo da Unctad de 2010 sobre os países menos favorecidos.
De acordo com os novos números do relatório, estima-se que entre 2002 e 2007, a época de maior auge econômico, o número de pessoas que vivia em condições de extrema pobreza aumentou até em 421 milhões, o dobro do que em 1980.
Nos momentos finais deste crescimento econômico, em 2007, 53% do total da população dos países mais desfavorecidos vivia em condições de extrema pobreza, apesar de suas economias terem crescido em uma média de 7% ao ano.
Este ritmo de alta desacelerou desde o início da crise, pois, em 2009, a economia dos países mais pobres aumentou 4,3%, embora a renda per capita tenha caído em 19 dos 49 países, o que denota uma má situação que deve ser duradoura.
"Os 49 países mais pobres do mundo devem desenvolver sua capacidade de produção, ou seja, produzir de forma eficiente e competitiva uma crescente variedade de bens e serviços com um maior valor agregado mediante mais investimentos e inovação", sugere o documento.
"Enquanto os níveis de investimento continuem baixos e o desenvolvimento financeiro permaneça fraco, os países mais pobres dependerão principalmente da prontidão da recuperação econômica mundial e da ajuda dos doadores internacionais", conclui a Unctad.
Os dez países de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) apontados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em 2010 são Zimbábue, República Democrática do Congo, Níger, Burundi, Moçambique, Guiné-Bissau, Chade, Libéria, Burkina Fasso e Mali.
 
 
Crescimento e desenvolvimento são coisas diferentes. Crescer financeiramente é  inchar e concentrar renda. Desenvolver economicamente tem muito mais a ver com distribuição da riqueza produzida. O problema que quem se apropria da riqueza no o mesmo que a produz. Somente o trabalho humano gera valor através de mais-valia.
Investimento em ...capital constante (tecnologia) causa queda do valor do ben produzido e, consequentemente queda do preo e da margem de lucro, levando s cclicas crises capitalistas de superproduo. No confundir com baixa no consumo, o que no ocorre, mas sim perda no valor, preo e lucro na produo. claro que sempre haver a tbua de salvao para o capitalista usufruir segundo sua convenincia. 
O Estado se encarrega de sua misso primordial de dar pleno e irrestrito suporte ao Sistema. Produtividade alta ou mesmo mais eficiente, no leva ao desenvolvimento, mas sim ao aumento da misria e do ritmo de explorao no trabalho e ao esgotamento dos recursos naturais. Cria-se, ento o factide da necessidade de consumo para dar conta do enorme volume de inutilidades produzidas.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Perito do laudo falso de Fiel Filho está na ativa.

Ação do Ministério Público Federal quer que agentes envolvidos no assassinato do operário sejam declarados judicialmente responsáveis por violações de direitos humanos.

Por Lúcia Rodrigues

Não são só os torturadores do passado que continuam na ativa. Ernesto Eleutério, perito criminal que lavrou o falso laudo da morte do operário Manoel Fiel Filho declarando que o trabalhador cometera suicídio, também está na ativa. Eleutério é assistente técnico da Diretoria do Instituto de Criminalística de São Paulo, comandada por Carlos do Vale Fontinhas. Desde 2005, o perito cobre férias e licenças dos funcionários do órgão.

A reportagem da Caros Amigos entrou em contato com Eleutério, por meio da assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, mas ele não quis se pronunciar sobre o caso.
Fiel Filho foi assassinado sob tortura nas dependências do Departamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), no dia 17 de janeiro de 1976, um dia após ter sido preso na fábrica onde trabalhava. O operário pertencia ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o mesmo partido do jornalista Vladimir Herzog, o Vlado, também assassinado sob tortura no DOICodi paulista, em 25 de outubro de 1975.

O assassinato de Fiel Filho foi a última morte praticada contra presos políticos na
sede do DOI-Codi paulista, localizado na rua Tomás Carvalhal, 1.030, nos fundos da 36ª Delegacia de Polícia. O centro de tortura mais temido pelos ativistas políticos da época funcionava ironicamente no bairro do Paraíso.

Mas os agentes do DOI-Codi ainda fariam mais três vítimas fatais fora dos porões do
regime. Em 16 dezembro de 1976, 11 meses após a morte de Fiel Filho, Pedro Pomar, Ângelo Arroyo e João Baptista Franco Drummond, membros do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PC do B) seriam assassinados pelos militares do II Exército, quando participavam de uma reunião do partido em uma casa na Lapa, zona oeste da capital.

O episódio ficou conhecido como o Massacre da Lapa devido às características de execução no crime praticado pelos militares. A residência onde estavam reunidos os dirigentes comunistas foi metralhada, Pomar foi alvejado por aproximadamente 50 disparos.


Reparação

Uma ação ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo, em 2009,
responsabiliza os agentes envolvidos no assassinato e na ocultação da morte do operário.
Eleutério se enquadra no segundo caso. O MPF paulista também quer que os envolvidos
sejam condenados a ressarcir aos cofres públicos o valor pago pela União à família do
trabalhador assassinado sob tortura.

O Ministério Público Federal também pode estar bem perto de elucidar a morte do primeiro desaparecido político da ditadura militar, o comandante da Ação de Liberação Nacional (ALN), Virgílio Gomes da Silva.
A procuradora da República, Eugênia Fávero, conseguiu identificar a quadra onde Virgílio foi enterrado no Cemitério de Vila Formosa, na zona leste de São Paulo. “Estou otimista”, comemora.

Por ser o primeiro desaparecido político do regime, Virgílio não foi enterrado na quadra destinada aos chamados “terroristas”, explica a procuradora. “Essa quadra foi desfigurada em 1975, as sepulturas foram destruídas, os ossos mexidos. Mas ele não está lá.”

Consultando os livros da administração do cemitério, Eugênia conseguiu cruzar os dados que podem levar à identificação de Virgílio. “Fizemos várias diligências ao cemitério e descobrimos que o número da ficha de encaminhamento do IML batia com o número da ficha que os movimentos de direitos humanos tinham levantado como sendo do Virgílio.”

O comandante da ALN foi enterrado como desconhecido, mas o número da ficha de encaminhamento está lá. “O problema é que as quadras de Vila Formosa têm quase duas mil sepulturas. O local é inequívoco, mas se o cadáver ainda está lá, não sabemos. Fizeram muitas exumações irregulares”, afirma.

Ela já notificou a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria
Especial de Direitos Humanos para que sejam contratados arqueólogos, geólogos, antropólogos forenses para fazer o estudo da área onde podem estar os restos mortais do ativista político.



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Torturadores da ditadura estão impunes.

Vários integrantes dos órgãos de repressão da ditadura militar (1964-1985) ocupam cargos públicos atualmente

 Por Lúcia Rodrigues

O aparato repressivo dos tempos da ditadura militar continua praticamente intacto no Brasil. Nenhum torturador foi punido, os arquivos dos porões do regime não foram abertos, o monitoramento de organizações e ativistas sociais continua e vários torturadores estão na ativa, desempenhando funções na administração pública ligadas à área da segurança pública.


No Ceará, o ex-delegado da Polícia Federal, José Armando da Costa, é o corregedor dos Órgãos de Segurança Pública do Estado. Ele é acusado de torturar presos políticos durante os anos de chumbo. Entre as atribuições do cargo que exerce atualmente está, por exemplo, a responsabilidade pela fiscalização dos casos de tortura praticados pelos policiais cearenses.

Procurado pela reportagem da Caros Amigos, Costa não quis comentar a acusação. Por intermédio de seu chefe de gabinete, o major Juarez, disse que só se manifestaria se a reportagem comparecesse pessoalmente à Corregedoria no Ceará.

O presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abraão, revela que o órgão denunciou Costa na Assembleia Legislativa do Ceará, ano passado, quando a Caravana da Anistia esteve no Estado. “Fizemos uma solicitação à Segurança Pública para que houvesse o seu desligamento do cargo.”

A Associação 64-68 de Anistia, entidade de defesa dos direitos humanos, também denunciou o ex-delegado da Polícia Federal pelo crime de tortura, mas ele continua no cargo. Mário Albuquerque, presidente da associação, conta que reencontrou Costa, em 2007, durante um evento na Federação das Indústrias do Ceará.

“Tomei um susto, mas quando a atividade terminou fui conversar com ele. Perguntei se ele tinha trabalhado na Polícia Federal do Ceará e ele desconversou: ‘Isso é coisa do passado’. Eu disse que fora preso político e ele empalideceu.” Em 1977, Albuquerque ficou pendurado em uma grade nas dependências da Polícia Federal do Ceará, das 9h às 16h, na posição de Cristo Redentor.

“Me tiraram dali e me levaram para ser interrogado por ele. O José Armando disse que se eu não falasse me mandava para a tortura novamente. Na época, o atual corregedor era delegado da Polícia Federal.

Vários presos políticos ainda têm receio de conversar sobre o assunto. “Levei 20 anos para conseguir falar sobre isso”, revela o engenheiro Júlio Lima, uma das vítimas de Costa. Preso em 1973, quando trabalhava no Banco do Nordeste, o ativista do PC do B foi torturado pessoalmente pelo atual corregedor dos Órgãos de Segurança Pública do Ceará.

“Eu estava de capuz, mas ouvia a voz dele. Até hoje, eu tenho essa voz na cabeça. O José Armando comandava a tortura. Era o comandante”, enfatiza. “Ele era tão brutal, que às vezes estava dando porrada na gente, parava o interrogatório e ligava para a esposa para dizer que estava fazendo um extra e que ia comer uma pizza.”  Em 2000, Lima reencontrou seu torturador em um restaurante. “Me senti mal, mas mais  tranquilo”, recorda.

As denúncias de ex-presos políticos, da associação de direitos humanos e da própria Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, contra Costa não sensibilizaram o Secretário da Segurança Pública do Ceará, Roberto Monteiro, que decidiu mantê-lo no cargo. “Pediram a sua exoneração, mas eu não exonerei. Não há nenhuma evidência de que seja um torturador da ditadura”, frisa.

O secretário elenca algumas razões para embasar sua decisão. “Nessa época ainda não existia a Lei da Tortura. Não existia o crime de tortura. Se eu colocasse alguém no pau de arara, responderia por lesão corporal.” Ele destaca também que a Lei de Anistia vigente indultou os ex-torturadores. “A anistia atingiu os dois lados, quem praticou sequestros, roubos, mortes e quem perseguiu esses esquerdistas.”

Para Monteiro, como a Lei de Tortura é de 1995, não dá para retroagir no tempo e condenar o ex-delegado pela prática do crime. “Não posso me valer dessa lei para um fato que ocorreu nos anos 70.” Além disso, ele destaca que “toda a pessoa tem direito ao devido processo legal, onde haja a devida defesa, direito ao contraditório e advogado”.

“A senhora já pensou em dar ao doutor Armando o benefício da dúvida”, questiona Monteiro à reportagem da Caros Amigos. “Eu não digo que o doutor Armando foi um torturador, no máximo foi conivente com os fatos”, conclui o secretário de Segurança Pública.


Impunidade

A não punição dos torturadores é inaceitável para o presidente Paulo Abraão. “Nós lidamos na Comissão de Anistia com os relatos dos crimes que foram cometidos. O sentimento é de um acúmulo de injustiça histórica.” Desde 2001, a Comissão já apreciou 55 mil pedidos de reparação às vítimas da ditadura militar, 30 mil foram deferidos.

A sensação de impunidade e desdém em relação aos direitos humanos também pode ser identificada no Estado de São Paulo, onde ex-torturadores também atuam diretamente na área da segurança pública.
O torturador da Operação Bandeirantes (Oban) e do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOICodi) Aparecido Laertes Calandra, acaba de ter a aposentadoria publicada no Diário Oficial do dia 13 de março. Antes disso, em 1 de janeiro de 2010, foi promovido a delegado de 1ª classe.

O capitão Ubirajara, como era conhecido nos porões do regime, ganhou projeção quando o governador tucano Geraldo Alckmin o nomeou, em 2003, para a chefia do Departamento de Inteligência da Polícia Civil paulista, órgão responsável, por exemplo, pelo serviço de escutas telefônicas.

A contragosto Alckmin teve de recuar na decisão por pressão das entidades de direitos
humanos e de ex-presos políticos torturados pelo policial. Antes de revogar a nomeação,
Alckmin chegou a declarar, no entanto, que não via nada que desabonasse a  permanência de Calandra no cargo. O ex-torturador do DOI-Codi se aposentou na Unidade de Inteligência Policial do Departamento de Administração e Planejamento da Polícia Civil de São Paulo.

O deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP) é uma de suas vítimas. Ele ficou preso por 90 dias no DOI-Codi paulista. “O Calandra era um dos torturadores mais ativos. Me colocou no pau de arara, deu choques elétricos, chutes… Era um cara super-agressivo, terrível, terrível. Era chefe de equipe.”
Diogo afirma ter receio da permanência de ex-torturadores em órgãos de segurança pública. “Vejo com muito medo. Esses caras são perigosos. Minha tese é de que o aparato repressivo não foi desmontado, está intacto. A tortura continua sendo um método consagrado para a obtenção de informações.”

Ele também passou por um constrangimento na Assembleia Legislativa de São Paulo, em 2007, quando exibiu o filme do cineasta Sérgio Rezende, Lamarca, que retrata a trajetória do comandante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e ex-capitão
do exército Carlos Lamarca. Segundo o deputado, vários militares da “velha guarda” compareceram ao evento e fizeram provocações.

“Tinha um grupo de coronéis que nos ameaçou, foi barra pesada. Perguntavam por que estávamos exibindo o filme ‘sobre aquele canalha traidor’. Criticaram as pessoas do PT que tinham sido presas, chamaram de terroristas…”

Ariston Lucena, filho do ativista da VPR, Antônio Raymundo de Lucena, estava na mesa de debates do evento e também sofreu provocações da plateia. “Fiquei espantado com o tom provocativo. Era gente ligada ao esquema da repressão. Me senti intimidado.” Ariston ficou preso por nove anos. Assim como o pai, ele também pertencia ao grupo político de Lamarca. “A ação de Quitaúna (expropriação das armas do Exército feita pelo capitão) foi planejada na casa dos meus pais”, revela.


Repressão

Carlos Alberto Augusto, o Carlinhos Metralha, é delegado plantonista do Departamento de Investigações do Crime Organizado do Deic. Nos anos 70, integrou a equipe do delegado-torturador Sérgio Paranhos Fleury, no Departamento de Ordem Política e Social (Dops).

Hoje, é um dos protetores do Cabo Anselmo, militar que agia infiltrado em  organizações de esquerda durante a ditadura. Anselmo entregou a própria companheira, Soledad Barret, para a morte. A paraguaia estava grávida dele quando foi assassinada junto com vários militantes da VPR, em Recife, pelas forças da repressão, após terem sidos delatados por Anselmo.

Foi de Metralha também o convite espalhado pela internet, em maio do ano passado, para o comparecimento à missa de 30 anos da morte de Fleury, que aconteceu na zona oeste da capital paulista.

Mais discreto, mas não menos truculento, Dirceu Gravina ou JC, como era conhecido nos porões em alusão a Jesus Cristo (usava cabelos compridos na época), acabou descoberto depois de ter aparecido na mídia em função de um caso que sua delegacia estava investigando. Hoje, está lotado na sede do Departamento de Polícia do interior 8, em Presidente Prudente, região oeste do Estado. O delegado também foi promovido em 01 de janeiro de 2010.

Calandra, Gravina e Augusto foram procurados pela reportagem da Caros Amigos, por meio da assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Os dois primeiros não quiseram se pronunciar, Augusto não foi localizado, porque estava de férias.

O Secretário da Segurança de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, também não se pronunciou sobre os três casos. A assessoria de imprensa da Secretaria informou que ele não falaria porque os policiais não ocupam cargos de chefia e a Lei de Anistia permite que eles permaneçam nas funções. A Delegacia Geral de Polícia de São Paulo, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que nenhum procedimento administrativo disciplinar culminou na aplicação para a pena de demissão dos delegados.

Para o jurista Hélio Bicudo, a Lei de Anistia tem sido interpretada de maneira oportunista para abranger vítimas e algozes. “Basta uma leitura com alguma atenção  para perceber que não é uma lei de duas mãos. A lei abrange apenas os adversários do regime, que foram punidos, cumpriram penas de vários anos. Agora é a vez dos torturadores.”

Segundo Bicudo, a tortura é crime contra a humanidade e, portanto, imprescritível. “Infelizmente, nossos tribunais têm falhado, os torturadores não cometeram crimes políticos. Dizem que a lei buscou a paz. Mas a paz sem justiça não existe. Enquanto não se fizer justiça, esse clamor vai continuar. Esse clamor passa pela punição dos torturadores”, frisa o jurista.

O procurador da República, Marlon Weichert, também considera inadmissível que torturadores exerçam funções públicas. O Ministério Público Federal de São Paulo move ação contra os agentes envolvidos na morte do operário Manoel Fiel Filho, assassinado sob tortura, em 1976, no DOI-Codi paulista.


Infiltração

O serviço de infiltração de agentes policiais em movimentos sociais continua a todo vapor. A prática é reconhecida, inclusive, pelo chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Wilson Roberto Trezza. Ele afirmou em outubro do ano passado, que o MST é monitorado por agentes do órgão. A Abin é a herdeira do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão de monitoramento da ditadura militar. Os arapongas que espionavam as lideranças consideradas subversivas pelo regime verde-oliva continuam abrigados na estrutura da nova agência de inteligência.

Recentemente a polícia prendeu três ativistas do MST em Santa Catarina em função desse tipo de infiltração. A ação militar foi preventiva, nenhuma propriedade havia sido ocupada, mas com base nos dados repassados pelos agentes prenderam esses militantes.

“O aparato de inteligência ainda é da época da ditadura militar, treinado pelos  americanos que vêem os movimentos sociais como inimigos internos”, critica o dirigente nacional do MST, João Pedro Stedile.
Não é só o MST que é vigiado. A prática da espionagem política permeia as forças policiais, apesar de a ditadura militar ter terminado há mais de um quarto de século. O serviço reservado das polícias continua atuando para identificar as lideranças de movimentos sociais. Os P2, como são conhecidos os infiltrados da PM, acompanham até manifestações acadêmicas, que reivindicam a queda de reitor. Foi o que aconteceu na Fundação Santo André, faculdade do ABC paulista, em outubro de 2007.

“Além da infiltração de dois espiões no nosso movimento que queria derrubar o reitor Odair Bermelho, também sofremos a invasão da Tropa de Choque da PM duas vezes em um mês. Isso configura que o aparato repressivo herdado da ditadura militar está preservado”, afirma a professora e coordenadora do curso de Ciências Sociais da Fundação, Lívia Cotrim.

O sindicato dos Bancários de São Paulo também conhece de perto a prática de infiltração. Segundo o presidente da entidade, Luiz Cláudio Marcolino, os infiltrados são vistos em períodos de greve. “Geralmente andam em dupla, ficam na rua próximos às agências. Na Quadra não entram, porque controlamos o acesso exigindo apresentação do crachá.”

O Sindicato também teve acesso a uma informação inédita. O texto de um e-mail enviado pela Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) para seus dirigentes, convidava para uma reunião com a PM no dia 11 de setembro de 2009, na sede do Comando do Policiamento da Capital, localizado na rua Ribeiro de Lima, 140, na Luz. Na pauta, o planejamento de ações conjuntas diante dos movimentos grevistas em andamento no mês. Detalhe: o Sindicato dos Bancários ainda não havia deflagrado greve e estava na mesa de negociação com os dirigentes da Fenaban, o braço da Febraban para a negociação de acordos.

A assessoria de imprensa da PM confirmou que a reunião ocorreu. “Foi recebida da mesma forma que são recebidos diversos segmentos da sociedade”. A PM também confirmou que a Febraban solicitou um canal de comunicação especial, mas que a instituição negou.

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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Estatuto da Terra.


Um dia a vida surgiu na terra. A terra tinha com a vida um cor­dão um­bi­li­cal. A vida e a terra. A terra era grande e a vida pe­que­na. Ini­ci­al. A vida foi crescendo e a terra fi­can­do menor. Cercada, virou coi­sa de al­guém, não de todos. Vi­rou a sorte de alguns e a des­gra­ça de tan­tos. Na História foi tema de re­vol­tas, re­vo­lu­ções, trans­for­ma­ções.

A terra e a cer­ca. Muitas re­for­mas se fi­ze­ram para dividir a terra, para torná-la de muitos e, quem sabe, até de to­das as pes­so­as. Mas isso não acon­te­ceu em to­dos os lu­ga­res. A democracia es­bar­rou na cerca e se feriu nos seus ara­mes far­pa­dos. Onde se fez a reforma, o pro­gres­so chegou. Mas a ver­da­de é que até agora a cer­ca ven­ceu. No Brasil, a terra, tam­bém cer­ca­da, está no centro da História.

Os pe­da­ços de­mo­cra­ti­za­dos custam san­gue, dor e so­fri­men­to. Nas ci­da­des virou mansões e fa­ve­las. Mas é tanta, é tão grande, tão pro­du­ti­va que a cerca treme, os li­mi­tes se rom­pem, a História muda e ao lon­go do tempo o momento chega para pensar di­fe­ren­te: a ter­ra é bem pla­ne­tá­rio, não pode ser privilégio de nin­guém, é bem so­ci­al e não pri­va­do, é patrimônio da hu­ma­ni­da­de e não arma do ego­ís­mo par­ti­cu­lar de nin­guém. É para pro­du­zir, gerar ali­men­tos, em­pre­gos, vi­ver. É bem de todos para todos.

Esse é o único des­ti­no pos­sí­vel para a terra. Que a so­ci­e­da­de seja o ver­da­dei­ro ator dessa nova peça, para mu­dar a face da ter­ra. A partir daí a vida na terra será melhor.

(Condensado de texto de Herbert de Souza, o Betinho, articulador na­ci­o­nal da Ação da Ci­da­da­nia e coordenador da Campanha Nacional pela Reforma Agrária - 1995 / Ibase Memória)

Extraído do site do programa Almanaque Brasil da TV Cultura.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

"TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES."

Saudações.


Recebi esta semana um e-mail bem interessante cujo conteúdo desejo compartilhar.
O texto é exatamente assim:

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"No  futebol, o Brasil ficou entre os 8 melhores do  mundo e todos estão tristes. 
 Na  educação é o 85º e ninguém  reclama..."
   

EU  APOIO ESTA TROCA
   
   TROQUE  01 PARLAMENTAR POR 344  PROFESSORES   
O  salário de 344 professores 
que ensinam =  ao  de 1 parlamentar
que rouba.
  
 Essa  é uma campanha que  vale a pena! 
  
Repasso  com solidária revolta! 
Prezado  amigo!
Sou  professor de Física, de ensino médio de uma  escola pública em uma cidade do interior da  Bahia e gostaria de expor a você o  meu  salário bruto mensal:  R$650,00 
 
 Eu  fico com vergonha até de dizer, mas meu salário  é R$650,00. Isso mesmo! E olha que eu ganho mais  que outros colegas de profissão que não possuem  um curso superior como eu e recebem minguados  R$440,00. Será que alguém acha que, com um  salário assim, a rede de ensino poderá contar  com professores competentes e dispostos a  ensinar? Não querendo generalizar, pois ainda  existem bons professores lecionando, atualmente  a regra é essa: O professor faz de conta que dá  aula, o aluno faz de conta que aprende, o  Governo faz de conta que paga e a escola aprova  o aluno mal preparado. Incrível, mas é a pura  verdade! Sinceramente, eu leciono porque sou um  idealista e atualmente vejo a profissão como um  trabalho social. Mas nessa semana, o soco que  tomei na boca do estômago do meu idealismo foi  duro!
Descobri que um  parlamentar brasileiro custa para o país R$10,2  milhões por ano...  São os parlamentares mais caros do mundo. O  minuto trabalhado aqui custa ao contribuinte  R$11.545.
Na  Itália, são gastos com parlamentares R$3,9  milhões, na França, pouco mais de R$2,8 milhões,  na Espanha, cada parlamentar custa por ano R$850  mil e na vizinha Argentina  R$1,3 milhões.
 
Trocando  em miúdos, um parlamentar custa ao país, por  baixo, 688 professores com curso superior  !
Diante  dos fatos, gostaria muito, amigo, que você  divulgasse minha campanha, na qual o lema  será:
'TROQUE  UM PARLAMENTAR POR 344  PROFESSORES'.
 
Repassar esta mensagem é  uma obrigação, é sinal de patriotismo, pois a vergonha que  atualmente impera em nossa política  está desmotivando o nosso povo e arruinando o nosso querido Brasil.
É o mínimo que  nós, patriotas, podemos fazer.


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 Certamente não faltará quem diga "se está achando ruim, muda de profissão".
Seria como uma certa representante do Ministério Público de minha cidade, ao receber representantes dos funcionários públicos que lhe haviam trazido denúncias sobre a relação fisiológica de concessão e troca de cargos entre vereadores e o prefeito e a inconstitucionalidade de medidas que alienaram conquistas da categoria, deu como resposta que "se não tá satisfeito, te exonera". Postura típica da canalhice.

A troca sugerida pelo professor no desabafo mais acima, fomenta, como devem ter percebido, não só a eliminação de um CANCRO no congresso e a adição de mais profissionais da educação, mas também dobrar a remuneração desses educadores. É uma boa visão, porém um tanto modesta.

Esta realização não é utopia. Requer, é certo, mobilização e que venhamos a impô-la, com força, como provalvelmente, seria necessário. 

Imagino que o leitor atento e inteligente já deve ter pensado: "por que parar na troca de um parlamentar? Por que não trocar tanbém mais parlamentares por algumas  dezenas de médicos, enfermeiras, dentistas, policiais(todos melhor remunerados)?" Sim, é uma boa linha de raciocínio.

No entanto, não seria mais do que apenas um bom começo...

Um abraço.
_LPR_

 

domingo, 26 de dezembro de 2010

PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ.

Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis.
Arrastaram eles os blocos de pedra?
E a Babilônia várias vezes destruída
Quem a reconstruiu tanta vezes?
Em que casas Da Lima dourada moravam os construtores?

Para onde foram os pedreiros, na noite em que
a Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma esta cheia de arcos do triunfo
Quem os ergueu?
Sobre quem triunfaram os Césares?
A decantada Bizâncio
Tinha somente palácios para os seus habitantes?

Mesmo na lendária Atlântida
Os que se afogavam gritaram por seus escravos
Na noite em que o mar a tragou.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?
César bateu os gauleses.
Não levava sequer um cozinheiro?
Filipe da Espanha chorou, quando sua Armada
Naufragou. Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?

Cada página uma vitória.
Quem cozinhava o banquete?
A cada dez anos um grande Homem.
Quem pagava a conta?

Tantas histórias.
Tantas questões.


(Bertold Brecht).

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sábado, 6 de novembro de 2010

REPRESSÃO POLICIAL CONTRA JOVENS DO TEATRO-DE-RUA NA ESQUINA "DEMOCRÁTICA" EM PORTO ALEGRE!!

"
No dia 16 de Outubro de 2010 a Esquina "Democrática" voltou a ser palco de embate. A Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta Favela... apresentava sua montagem de Teatro de Rua Árvore em Fogo quando vários soldados da Brigada Militar tentaram interromper a apresentação abaixo de ameaças de prisão e de gritos para intimidar os atores.

Nós da Cambada, em um verdadeiro ato de resistência, levamos a apresentação até o final. Foi quando nos vimos detidos (inclusive uma criança de 11 anos que participa da peça), não poderíamos deixar o local nem poderíamos levar nosso material cênico, caso não nos identificássemos. Fomos levados a delegacia quando ,por sorte, um pedestre se identificou como advogado e nos acompanhou, não sabemos o que seria dentro da delegacia cercados por vários policiais sem este advogado que apenas passava e resolveu não ficar calado diante de tão absurda atitude dos soldados. Um deles argumentou que um dos motivos que os fizeram tentar parar a peça foi o que "algumas pessoas não estavam gostando".

Depois de algum tempo de discussão dentro da delegacia, fomos identificados e liberados. Esta intervenção da Brigada Militar desrespeita o Artigo 5º da Constituição Federal de 1988 que diz:

"É LIVRE A EXPRESSÃO DA ATIVIDADE INTELECTUAL, ARTÍSTICA, CIENTÍFICA E DE COMUNICAÇÃO INDEPENDENTEMENTE DE CENSURA OU LICENÇA"

Este foi mais um ato estúpido, inexplicavel e inconstitucional da polícia.
Árvore em Fogo é um alerta para a necessidade de Liberdade. Junto com Brecht a Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta FavelA...afirma:
DE HOJE EM DIANTE TEMEREMOS MAIS A MISÉRIA QUE A MORTE!! 

                                                                                                                                    " 




O QUE DIZ A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA:

TÍTULO II - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
CAPÍTULO I - DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Artigo 5º

(...)
II -

 ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
   III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
   IV -
  é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
   V -
  é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

(...)

 VIII -

 ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
   IX -
  é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
   X -
 são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

(...)

XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;

(...)

XLI -

 a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; 

(...)

XLVI -
a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
      a)
  privação ou restrição da liberdade;

(...) E por aí vai...

   Portanto criminosos são todos os policiais militares e seus superiores hierárquicos pelo vergonhoso e covarde ato de abuso da autoridade por eles sistematicamente praticado.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Ghandji - O Revolucionário da Paz.


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"Nossa causa é tão nobre, que por ela vale a pena morrer, mas jamais valeria a pena matar!"
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“Olho por olho e o mundo acabará cego!"
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"Existem mais religiões para fazer os homens se odiarem do que fazer com que se amem."
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"Não há caminhos para a paz, a paz é o caminho"
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“O que mais me impressiona nos fracos é que eles precisam humilhar os outros, para sentirem-se fortes."
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"A força não provém da capacidade física, mas da vontade férrea."
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"Seja você a mudança que quer ver no mundo."
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"Se um único homem chega à plenitude do amor, neutraliza o ódio de milhões."
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"Mantenha seus pensamentos positivos,porque pensamentos tornam-se suas palavras.
Mantenha suas palavras positivas, porque suas palavras tornam-se suas atitudes.
Mantenha suas atitudes positivas, porque suas atitudes tornam-se seus hábitos.
Mantenha seus hábitos positivos, porque seus hábitos tornam-se seus valores.
Mantenha seus valores positivos, porque seus valores tornam-se seu destino"
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"Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo."
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"Um objeto, mesmo que não tenha sido adquirido por meio de roubo, deve ser no entanto considerado furtado se o possuímos sem dele precisarmos."
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"Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no mundo e ninguém morreria de fome."
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"A fome é a maior da violências que se pode incutir a um ser humano."
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"Não vale a pena ter liberdade, se ela não encerra a liberdade de errar."
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"Não quero que minha casa seja cercada por muros de todos os lados e que as minhas janelas estejam tapadas. Quero que as culturas de todos os povos andem pela minha casa com o máximo de liberdade possível."
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"Felicidade é quando o que você pensa, o que você diz e o que você faz estão em harmonia"
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"Minha vida é a minha mensagem"

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Mohandas Karamchand "Mahatma" Ghandi
*1869 - 1948+

Nasceu na elite, cresceu entre os livros, viveu entre o povo, morreu como um herói e existe como um exemplo de que a coragem é mais bela que a valentia; que o corajoso é mais nobre que o valente.

terça-feira, 24 de julho de 2007

…Aos que virão depois de nós…



I

Eu vivo em tempos sombrios.
Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez, uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia.
Que tempos são esses, quando falar sobre flores é quase um crime
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranqüilamente a rua já está então inacessível aos amigos que se encontram necessitados?

É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso.
Nada do que eu faço
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!).

Dizem-me: come e bebe! Fica feliz por teres o que tens!
Mas como é que posso comer e beber, se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
Se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede?
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.

Eu queria ser um sábio.
Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
Manter-se afastado dos problemas do mundo e sem medo passar o tempo que se tem para viver na terra;
Seguir seu caminho sem violência, pagar o mal com o bem, não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!Mas eu não consigo agir assim.
É verdade, eu vivo em tempos sombrios!


II

Eu vim para a cidade no tempo da desordem,quando a fome reinava.
Eu vim para o convívio dos homens no tempoda revolta e me revoltei ao lado deles.
Assim se passou o tempo que me foi dado viver sobre a terra.
Eu comi o meu pão no meio das batalhas, deitei-me entre os assassinos para dormir,
Fiz amor sem muita atenção e não tive paciência com a natureza.
Assim se passou o tempo que me foi dado viver sobre a terra.



III

Vocês, que vão emergir das ondas em que nós perecemos, pensem, quando falarem das nossas fraquezas, nos tempos sombrios de que vocês tiveram a sorte de escapar.
Nós existíamos através da luta de classes, mudando mais seguidamente de países que de sapatos, desesperados!
Quando só havia injustiça e não havia revolta.
Nós sabemos: o ódio contra a baixeza também endurece os rostos!

A cólera contra a injustiça faz a voz ficar rouca!
Infelizmente, nós, que queríamos preparar o caminho para a amizade, não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
Mas vocês, quando chegar o tempo em que o homem seja amigo do homem, pensem em nós com um pouco de compreensão.


(BERTOLD BRECHT).

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